Alice no país das maravilhas

Se você ainda não leu Alice, não recomendo que ultrapasse o ponto que vem agora. Sim, porque isso não é uma sinopse, nem um texto de orelha. É um achismo aloprado que talvez precise dizer que no final ela acordou de um sonho, Como assim acordou de um sonho? Eu avisei, não devia ter ultrapassado o ponto. Então, a partir de agora, ultrapasse o concreto. Aquilo que se pode ver e admitir como um coelho, Quem lhe disse que não é um monstrinho? Um bichinho bonito? Um mamífero, cauda curta, orelhas, patas compridas? Não, nada disso. Ele será apenas um coelho mesmo? Sem tantos significados?

Fiquei pensando quais seriam os alucinógenos da moda na segunda metade do século XIX e qual deles seria o mais popular entre os retraídos professores de matemática. O Lewis, quando fez Alice entrar na toca de um apressado coelho branco, empurrou sua protagonista no mais colorido absurdo que já li na vida. Se eu não conhecesse a origem disso tudo, diria que essa história provavelmente era fruto de alguma fantasia maluca de um maluco da década de 60 transcrevendo seu fluxo de pensamento, enquanto escutava Lucy in the sky with diamonds. Mas não, veio de um inteligente adulto tímido que recorreu ao recurso narrativo de um sonho para liberar sua surrealistíssima imaginação, fazendo gato ter sorriso, baralho ter sentimento, lágrima virar lago profundo, cogumelo fazer crescer, líquido fazer diminuir, bolo fazer crescer e, quando a tontura tomasse conta nesse sobe e desce desconexo, uma rainha um tanto enérgica ordenasse Cortem-lhe a cabeça! e Alice, involuntariamente, dissesse qualquer coisa como Entrou pela perna do pinto, saiu pela perna do pato, seu rei mandou dizer… Isso também bem que deve ser coisa do Carroll.

Sendo assim, qualquer ato dela não lhe causará medo ou espanto, apenas curiosidade. Por isso no mundo de Alice é possível olhar com olhos de criança para tudo que está a sua volta. Com porquês, mas não necessariamente com lógica. Porque os sonhos são assim mesmo, meio sem lógica. Mas quando eles são bonitos, coloridos e cheios de mirabolâncias, fazem a gente acordar feliz.

E é isso em encanta ao ler o livro. A imaginação fácil de narrativa despreocupada. A curiosidade que nos faz comer as páginas, crescendo e diminuendo parágrafo a parágrafo, enquanto se vai descobrindo o que acontecerá com Alice nesse mundo tão estranho.

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